segunda-feira, 22 de outubro de 2012

ELEIÇÕES: VOTOS NULOS E BRANCOS E OUTROS BICHOS MAIS!

Pequenos comentários sobre a situação no que diz respeito as eleições à Prefeitura de Petrópolis. Após a justiça ter definido o candidato do PSB Rubens Bomtempo para a disputa do 2º turno contra o candidato do PMDB Bernardo Rossi, creio que devemos minimamente indicar aqui alguns equívocos possíveis e captar alguns sentimentos e pensamentos. 
Sobre a decisão da justiça, um breve comentário; apesar do atual Prefeito Paulo Roberto Mustrangi de Oliveira ter perdido nas urnas, e esta é sem dúvida, a pior derrota em um processo eleitoral que preza pelo sufrágio universal, o Bomtempo deveria ter sido definitivamente impugnado assim como muitos políticos neste Brasil. 
Antes de falar sobre nossos problemas apresentarei alguns dados do primeiro turno: 

Candidato Partido Situação Qt Votos  Válidos
NELSON ARISTEU CAMINADA SABRA PDT Não eleito 16.929
RUBENS JOSÉ FRANÇA BOMTEMPO PSB 2º turno 50.320
BERNARDO CHIM ROSSI PMDB 2º turno 52.951
ALEXSANDER DIAS DE FARIA PSOL Não eleito 3.442
PAULO ROBERTO MUSTRANGI DE OLIVEIRA PT Não eleito 45.060




No último dia 07 de outubro 196.748 eleitores compareceram às urnas. Somados os votos dos candidatos acima temos um total de 168.702 votos (votos válidos), o que significa que 28.046 pessoas anularam seus votos ou votaram em branco (não houve votos em legenda para Prefeito). Esse número seria suficiente para redefinir os caminhos dos candidatos, pois é maior que a soma do quarto colocado Nelson Sabrá (16.929). Por que estou tratando disso? Com a saída de Paulo Mustrangi, muito se ouviu de anulação de votos, alguns acreditam que um número maior que 50% de votos nulos provocaria um nova eleição o que não é verdade. Os votos nulos e branco tem o mesmo valor, isto é, não são contabilizados. O problema é que quanto maior o número de votos brancos e nulos, menor é o chamado "coeficiente eleitoral", assim menos votos os candidatos necessitarão para ser eleitos. Para exemplificar: se um cidade possui 100 eleitores, o candidato precisa de 51 votos para ser eleito, mas se 10 eleitores resolverem anular seus votos, o mesmo necessitará apenas de 46 votos, logo o voto nulo tende a beneficiar o candidato que está à frete nas pesquisas o que no nosso caso é o Bernardo Rossi. 
Sobre o apoio de Paulo Mustrangi e Nelson Sabrá ao candidato Bernardo Rossi, vejo aqui uma articulação política que não é muito difícil de entender PT e PMDB mais uma vez se movendo para exercer o controle político em mais um município do Estado do Rio. Significa que teremos uma Petrópolis melhor amanhã? Temo que não. Por outro lado, tranquiliza saber que o Sr. Rubinho terá muitas dificuldades de alcançar seu concorrente. Resta saber se os eleitores de Mustrangi irão acompanhá-lo, só Lula conseguiu transferir seus votos para outro candidato, de qualquer modo, não creio que Bomtempo receba nas urnas muito mais do que recebeu no primeiro turno. O futuro político de nossa cidade é incerto, só espero que não seja trágico. 

Jonatas C. de Carvalho 
Historiador e Pesquisador do LEDDES- Laboratório de Estudos das Diferenças de Desigualdades (UERJ). 







    

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Domínio Público!

Assista o vídeo em HD: http://vimeo.com/49419197



O prefeito do Rio, eleito por maioria absoluta dos eleitores, nunca tratou em sua campanha caríssima (financiada não se sebe por quem!) sobre sua política de "desocupação" dos morros do Rio que estão no entorno do Porto Maravilha. Juntamente com o governador Sérgio Cabral, ambos estão praticando mais uma barbarização contra as populações que há décadas vivem nos morros do Rio, população esta, que foram empurradas para os morros durante a primeira metade do século XX; agora estão sendo removidos para sabe-se lá onde!!!
Parabéns para os eleitores dessa dupla que faz política para os grandes empresários como o Sr. Eike e sua corja!!
Em nosso município infelizmente não teremos opção no segundo turno, os dois candidatos (até agora 15X40) não mudarão a situação dos  "sem-tetos", vítimas das enchentes e daqueles que tiveram suas casas demarcadas pelo INEA. É certo que o mais jovem, que tem um "estilo" do prefeito do Rio, irá adotar medidas parecidas, afinal será mandado pelo CABRAL. Já o mais velho, que passou 8 anos (em um passado não tão distante) aumentando a dívida pública municipal, terminou seu mandato com 240 milhões de déficit, e por isso teve suas contas não aprovadas, não fará nada por essa população. 
As perguntas continuam sem respostas: Onde serão construídas as habitações? Quando estarão prontas? Quantas moradias serão providenciadas? 
Estamos definitivamente nas mãos do nada!

Jonatas Carvalho.        

ACESSE: catarse.me/dominiopublico para fazer uma doação

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Os "prefeitáveis" e suas propostas para as vítimas das catástrofes.

Os cidadãos e cidadãs da cidade de Petrópolis estão tendo o privilégio de presenciar os debates entre os candidatos a prefeito no município, isto tem sido possível devido à mobilização de setores de comunicação e educação dentre outros segmentos que vêm organizando os debates. 

Se há raros momentos de lucidez por parte dos "prefeitáveis", em que apresentam propostas concretas, na maioria da discussão o que se presencia é a prática de um tipo de retórica própria de um modelo de política que se faz presente no Brasil desde surgimento da república.
Os candidatos recentemente apresentaram suas propostas para a situação das populações atingidas pelas chuvas de 2011, sobretudo para os moradores do Vale do Cuiabá.

Se o atual prefeito apresentou o pouco do que realizou neste quesito, embora discursasse como se estivesse realizado algo realmente significativo, como a construção de 144 casas (ainda no início das obras) na Posse. Paulo Mustrangi alegou ainda que continua a "cobrar" do Governo do Estado a construção de 1,5 mil habitações que segundo o mesmo, seria o responsável pela construção. Não citou o problema das desapropriações das propriedades à margem dos rios Santo Antônio e Carvão. Algo que o nobre Prefeito não deveria fazer, mas mesmo que discretamente acabou fazendo, foi gabar-se de não ter sido acusado de "desvios" como ocorreu com os prefeitos dos outros municípios atingidos pela mesma catástrofe (Friburgo e Teresópolis), "posar de exceção" neste caso, não é coerente, pois a lisura para com o erário público deve ser obrigação de todo gestor. 

Já o candidato do PSOL, Alex Dias, vem mantendo a fraca capacidade de discutir com propriedade os problemas da cidade. Bernardo Rossi, um pouco mais hábil discursivamente, apresentou uma análise do problema razoavelmente sensata (apontando para o fracasso do plano habitacional do município), mas suas propostas de solução são abusivamente utópicas (como sua proposta de assistir efetivamente os moradores com engenheiros e arquitetos do quadro municipal). 

Nelson Sabrá faz do "jogo" retórico sua maior arma. O candidato destaca-se por sua capacidade de exercer suas críticas disparando ataques pontuais aos candidatos Rubens Bomtempo e Paulo Mustrangi. Condenou os preços oferecidos pelo Estado nas indenizações das áreas desapropriadas, disse que recomendou aos moradores que não assinassem o "termo de realocação", condenou o "papel de coadjuvante" exercido pela prefeitura no processo (até aqui análises sensatas), mas como os outros, foi incapaz de apresentar propostas efetivas, capazes de ser mensuradas. 
O candidato do PSB, Rubens Bomtempo, vem esbarrando no chamado "por que você não fez quando teve chance?" Sua proposta de uma "Secretaria Extraordinária" é mais uma falácia entre as muitas que vem divulgando como parte do seu "plano de governo". 

Infelizmente, para aqueles que foram vitimados pela catástrofe ou para aqueles que tiveram (e terão) seus direitos expropriados pelo estado, as opções entre os "prefeitáveis" não representam mudanças na condução da política autoritária que o Estado vem exercendo na Região Serrana. Qualquer um dos candidatos possivelmente serão "engolidos" pela "máquina" do Estado. A aprovação de recursos na ordem de onze dígitos (seiscentos milhões) é capaz de seduzir qualquer gestor municipal, pois no final das contas, a alocação de verbas dessa ordem certamente servirá como “plataforma” no jogo político nas eleições seguintes.      

Jonatas Carlos de Carvalho 
Mestrando em História Política pelo PPGH/UERJ. Bolsista da CAPES. Pesquisador do Laboratório de Estudos das Diferenças e Desigualdades Sociais – LEDDES/UERJ; Pesquisador do NEIP – Núcleo de Estudos Interdisciplinares Sobre Psicoativos.  

 
     

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Comissão Especial da ALERJ que acompanha as obras de reconstrução da Região Serrana realizou audiência pública.

No último dia 23 a Comissão Especial da Assembléia Legislativa do Estado do Rio criada para averiguar as obras de reconstrução na Região Serrana, presidida pelo deputado estadual Luis Paulo (PSDB), realizou uma audiência pública para avaliar a situação atual. 
A comissão ouviu a presidente do INEA, Marilene Ramos, a subsecretária de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, Maria Célia, a secretária Municipal de Desenvolvimento Social de Teresópolis, Maria das Graças Granito e a representante da Casa Civil, Rita Jurberg.
Segundo o deputado, o maior "gargalo" do projeto está justamente no "Programa Habitacional", se as obras nos rios estão fluindo, na área da habitação há problemas sérios. Em um ano e oito meses mais de 8 mil famílias estão cadastradas vivendo do aluguel social, quase 6 mil cadastraram-se para receber moradias. Ainda de acordo com o deputado o cadastro atual deverá passar por uma auditoria ou será realizado um "recadastramento" com objetivo de tornar os dados mais atualizados. 
Marilene Ramos, presidente do INEA afirmou que há projetos para investir cerca de 1 bilhão de reais na recuperação dos rios da Região Serrana até 2015. Já foram gastos mais de 91 milhões com os projetos encampados pelo INEA e mais 100 milhões estão sendo licitados. 
Infelizmente, uma pequena parte de todo esse dinheiro foi empregada para dar moradia digna àqueles que perderam suas casas. O aluguel social, deveria ser um programa temporário, certamente se estenderá por longos anos ainda, isto é, essa gente viverá de um aluguel de R$500,00 à espera da boa vontade e competência (ou incompetência!) do Estado e os Municípios em questão. 
Tudo indica que não há qualquer planejamento definitivo quanto ao que fazer ou onde fazer tantas moradias, o problema é maior que ter dinheiro para indenizar (até mesmo por que os valores das indenizações são irrisórios), mas antes, trata-se de encontrar terrenos, desapropriá-los, licitar as obras... um empreendimento desses requer vontade política, muita determinação e projetos eficazes... 1 bilhão é muito dinheiro, a questão é saber se haverá projetos realmente realizáveis, o INEA vem encontrando muitas dificuldades para receber o dinheiro na Caixa Econômica (uma das principais fontes de financiamento), justamente por falha na execução dos projetos. 

Fonte do vídeo:
http://www.clipnaweb.com.br/video/VIDEO3/1208212136-TA.wmv

Jonatas Carlos de Carvalho 
Historiador e Pesquisador do LEDDES- Laboratório de Estudos das Diferenças e Desigualdades Sociais/ UERJ.   

       

terça-feira, 14 de agosto de 2012

"Rainha da Sucata" perde no STJ!


Reproduzo aqui a matéria publicada no site da Prefeitura de Petrópolis:

Prefeitura de Petrópolis, por intermédio da ação de suspensão de liminar protocolada no Superior Tribunal de Justiça (STJ), obteve importante vitória para oferecer aos petropolitanos a renovação do sistema de transporte público. A decisão do Ministro Presidente do STJ, Ari Pargendler, proferida na manhã desta terça-feira (14), foi favorável ao governo municipal.

No processo 0141436-38-2012.3.00.0000, o presidente do STJ, em sua afirmativa diz que "sob o prisma do interesse público, e no estado dos fatos, a decisão que antecipou a tutela é danosa. O serviço público de transporte coletivo urbano constitui responsabilidade dos municípios. Mal prestado esse serviço (e disso há evidências), nada mais natural que o município de Petrópolis reassumisse essa responsabilidade. A eventual indenização à (ex) permissionária, pelo uso dos bens desta, é matéria a ser decidida, a seu tempo, na instância ordinária".

Diante do acórdão promulgado pelo presidente do STJ, a Prefeitura de Petrópolis aguarda somente que a comunicação oficial. Com isso, a empresa Turb, vencedora do processo legal de licitação, operará as 26 linhas atualmente atendidas pela antiga permissionária, após o trâmite legal relativo à decisão enunciada pelo STJ.

O governo municipal reafirma o compromisso de oferecer a população veículos novos, todos adaptados para portadores de deficiência, seguros e com qualidade.

Confira em: http://www.petropolis.rj.gov.br/index.php?url=http%3A//www.petropolis.rj.gov.br/pp/modules/news/

sábado, 11 de agosto de 2012

Representantes de Bairros em Itaipava acionam MP-Federal contra INEA.

Na tarde de ontem alguns moradores dos bairros de Benfica, Gentil e da Estrada das Arcas entraram com uma representação junto ao  Ministério Público Federal contra algumas ações efetivadas pelo INEA em Itaipava.  O documento, acompanhado de um abaixo assinado contendo 1.109 assinaturas,   centenas de fotos , matérias jornalísticas, televisivas entre outras, foram entregues ao procurador da república.  Antes de encaminhar a documentação ao MP os representantes estiveram na Tribuna de Petrópolis, onde relataram o objetivo da representação. Segundo Cláudio Campos, morador do Gentil, o INEA realizou a derrubada de dezenas de árvores centenárias numa área que provavelmente é de responsabilidade da APA - Petrópolis: Área de Proteção Ambiental , instituição federal que deveria ser consultada pelo INEA. Após a análise da documentação  o procurador decidirá que tipo de encaminhamento dará ao texto.     

                                                                      Acima, texto protocolado pelo MP Federal. 

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

INEA surpreende mais uma vez!


Após uma reunião às portas fechadas ontem em Itaipava com meia dúzia de moradores (denunciado aqui em primeira mão), o INEA surpreende mais uma vez.  Hoje pela manhã, o órgão estadual do ambiente realizou mais um evento sem o conhecimento das comunidades locais. Apenas representantes do poder público municipal , estadual e a imprensa local sabiam do evento. E que evento seria este? Trata-se de inauguração do projeto de "reflorestamento  das margens do rio Santo Antônio" , uma verdadeira história para boi dormir. Um evento politiqueiro para desfazer a imagem negativa que o órgão recebeu após a derrubada de árvores centenárias na entrada da Estrada das Arcas em Itaipava.
A presidenta do INEA, Marilene Ramos, aquela que nos chamou de "ribeirinhos" e  "intransigentes", surgiu em seu oponente carro oficial para discursar.  A presidenta disse estar satisfeita com as obras e anunciou que o processo de licitação para a continuidade das obras (que inclui dar prosseguimento ao rio Santo Antônio, o córrego do Carvão  e o rio do Cuiabá), cujo total será de 75 milhões de Reais. A presidenta afirmou ainda que o processo de "negociação" com as famílias para a remoção das habitações que encontram-se próximas às margens do rios, apesar de ser lento, seguirá em frente. (negociar implica  no direito das partes em realizar propostas e contrapropostas até que se chegue a um denominador comum e não é assim que o Estado "negocia" com as classes vulneráveis!).
Numa tentativa de passar uma imagem social positiva e ecologicamente correta, a organização do evento trouxe crianças de um orfanato para ajudar no plantio de espécies nativas. 
Uma vez mais o Estado tenta nos enganar. Uma vez mais eles posam de bons moços, mas na realidade são mestres nas artes demagógicas.


 Feliz e descontraída, Marilene Ramos, comemora evento de inauguração do reflorestamento das margens do rio Santo Antônio, enquanto algumas pessoas continuam sem casa para morar e outras estão sendo obrigadas a entregar suas casas por uma quantia de dinheiro que mal dá para comprar um carro popular.   


Jonatas Carvalho. 

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

INEA FAZ REUNIÃO ÀS PORTAS FECHADAS EM ITAIPAVA.


Mais uma vez o INEA faz uso de estratégias com objetivo de ludibriar a população e maquiar as informações oficiais.  Nesta quarta, dia 8, às 09h30, na Paróquia Santa Luzia, localizada na Laginha (Estrada das Arcas), o órgão realizou uma reunião de "avaliação do projeto do Parque Fluvial do Piabanha". Conforme a representante da empresa contratada para fazer a “avaliação”, a proposta objetivava recolher informações da população, de modo que a partir destas fosse possível elaborar um relatório sobre os "gargalhos", "problemas" e "demandas" do projeto.  Ainda conforme a representante (uma psicóloga), o mesmo tipo de reunião seria realizada junto à equipe do INEA que atua nos locais em questão, para confrontar as informações.  Assim um relatório geral seria encaminhado ao órgão.

Apresento aqui algumas ponderações e questões que imagino, não devem passar despercebidas pela imprensa, poder público municipal e a população diretamente envolvida.

Primeiramente alguns questionamentos: Quais os critérios para realizar tal reunião? Como uma reunião que tem por finalidade avaliar um projeto, onde o feedback da população torna-se o principal instrumento de avaliação, a mesma não é convocada? Por que realizar uma reunião no salão de uma igreja (um espaço que tem sido usado publicamente desde então) às portas fechadas. Qual a legitimidade de um relatório que "selecionou" pessoas por telefone?  O que representa um relatório elaborado  a partir da fala de vinte pessoas em um universo que mais de  1.500 famílias?

Assim como 99% da população, eu não fui convidado a comparecer a reunião. Fiquei sabendo da mesma por meio de uma vizinha, fiquei me perguntando por que ela recebeu um convite/telefonema e eu não, afinal também tenho telefone fixo. Mas como bom penetra compareci ao local e me sentei discretamente para ouvir e tentar entender o que estava ocorrendo ali.  A primeira conclusão que cheguei é que o "formato" da reunião fora feito para evitar os "contestadores" e "tumultuadores" de plantão (é assim que o Estado qualifica as pessoas que reivindicam seus direitos, para mim trata-se de uma atribuição própria da cidadania). O ambiente foi harmoniosamente preparado, com mesa de coffee break, duas profissionais de voz suave e fala ponderada, dava para se sentir em casa. A reunião começou com uma "dinâmica de grupo" onde foram distribuídos papéis de cor rosa (para escrevermos os aspectos positivos do projeto) e de cor verde (onde exporíamos os aspectos negativos).
Fiquei desolado ao verificar que as pessoas presentes não estavam ali para contestar o projeto ou para criticar a política autoritária por parte do Estado e do INEA. Suas queixas eram pessoais, pontuais, pertinentes apenas às suas necessidades.

Listo abaixo as principais reclamações:

*      Atrasos constantes do aluguel social;
*      O valor do aluguel social (R$ 500,00), abaixo do salário mínimo, inviabiliza a grande maioria das casas disponíveis para aluguel, já que se pede no mínimo um salário para alugá-las;
*      Criticas aos critérios de cadastramento do aluguel social, há pessoas que perderam suas casas e que não estão sendo assistidas com o aluguel social e pessoas que recebem o benefício sem necessitar (denúncia feita na reunião);
*      A demora no pagamento de quem já "negociou" com o INEA, inviabiliza a "compra assistida";
*      O valor das indenizações é incompatível com o preço de mercado;
*      Ausências de informações, informações distorcidas, informações contrastantes;
*      Incertezas sobre o programa de habitação, isto é, onde irão morar? Em que lugar estão sendo construídas as novas moradias? Quando elas ficarão prontas?
*      O modelo de desassoreamento comprometerá severamente a flora e a fauna local.

Para terminar, algumas considerações: Teria o Estado perdido uma ótima oportunidade de avaliar suas ações na Região? Penso que não. Creio realmente que tudo isso faz parte de um grande jogo para respaldar o discurso oficial.  Todo projeto requer, para se legitimar o cumprimento de alguns pressupostos básicos, dentre os quais cito alguns: traçar metas e objetivos, planejar e mensurar as ações e realizar avaliações sistemáticas. 

Neste sentido, a reunião desta quarta-feira teve o caráter de cumprir mais uma etapa do projeto, o que não significa que o Estado está preocupado com a nossa opinião.  Assim se questionados, o órgão do Estado poderá alegar que realizou avaliações periódicas. Mas certamente não revelarão como tais "avaliações" se deram, não dirão que as reuniões ocorreram às portas fechadas e com pessoas selecionadas a dedo. É desta forma que o Estado legitima suas ações e camufla seu autoritarismo, apresentando ações e projetos unilaterais como se contassem com a efetiva participação social.    

Jonatas C. de Carvalho é historiador e pesquisador do LEDDES- Laboratório de Estudos das Diferenças e Desigualdades da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ. Reside há 16 anos na Estrada das Arcas em Itaipava. 

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Um Magno entre os ricos e os pobres

O vereador e candidato a reeleição Gil Magno distribuiu uma "carta aberta" à população de Itaipava no último fim de semana. O objetivo do nobre vereador era esclarecer sobre alguns "mal-entendidos" que colocaram em dúvida seu apoio  população atingida pelas enchentes na Região. 
O vereador-candidato não compreendeu a insatisfação da população, na verdade, ele confundiu tudo. O Sr. Magno (nome que vem de magnífico), achou que não sabíamos que ele prestou um grande serviço as vítimas da tragédia de 2011. Nós temos ciência de sua cooperação caro vereador! Sabemos que V. Exa. participou ativamente em defesa daqueles que tiverem suas casas atingidas, assim como sabemos também da sua iniciativa junto a Frente Pró Petrópolis. Mas como eu dizia, o Sr. confundiu tudo, não é esta nossa queixa contra o magnânimo vereador. A questão é outra.
Esperávamos que em sua carta aberta, o Sr. pudesse nos dizer sobre o seu posicionamento quanto as desapropriações autoritárias que o Inea vem submetendo as famílias desta localidade, ou sobre o caráter ético das "negociações" que este órgão vem tratando com os proprietários dos imóveis das chamadas áreas de exclusão. Em sua carta, o Sr. afirma que está acompanhando "de perto a Ação Civil Pública" (650.39.20118.19.0040), mas isso não muda os relatos das pessoas que já iniciaram as "negociações". Segundo estes, Sr. Magno, o Inea apresentam-lhes propostas absurdamente abaixo do valor de mercado, dizendo aos proprietários que as desapropriações ocorrerão inexoravelmente e que eles, os proprietários, terão que "negociar". 
Outra resposta que esperávamos de V. Exa. era sobre seu apoio a construção do Parque Fluvial do Piabanha, pois nós soubemos que o nobre vereador estaria "comprometido" com a Novamosanta, associação que apoia e fomenta este desajustado (para não dizer desumano) projeto, que prioriza a paisagem (com ciclovias) em vez de gente. O fato do nobre vereador-candidato dizer que é solidário com a população atingida pelas chuvas, não significa o mesmo que dizer que o Sr. é contrário as desapropriações, ou com os critérios definidos pelo Inea quanto a criação de "áreas" ou "zonas" de exclusão. 
Lamento assim, caro Gil Magno, que o Sr. tenha perdido uma oportunidade de demonstrar seu posicionamento real sobre o que vem ocorrendo em Itaipava com os moradores da Estrada do Gentil, Estrada das Arcas, Benfica, Madame Machado e Cuiabá. É possível que na atual conjuntura (eleições municipais) o Sr. tenha adotado uma postura menos radical para não ter que se indispor com seu eleitorado de classe média-alta que vive nos condomínios de Santa Mônica, dizer ser solidário aos pobres, desabrigados e em vias de ser desapropriados, não lhe compromete, pelo contrário. 
Gostaríamos de ver um político que realmente saísse em nossa defesa, um político que declarasse abertamente a incoerência de desapropriar moradores de uma determinada área, enquanto muitos que perderam suas casas ainda vivem de aluguel social (como é o caso de várias famílias em Cuiabá). 
Mas não e preocupe Sr. Magno, pois o nobre candidato não está sozinho nesta, também não ouvimos por parte dos seus correligionários (ou concorrentes), qualquer palavra nesse sentido, falo aqui de candidatos como Jorginho do Banerj, Maurinho Branco, Lucélio, entre outros. Assim, estaremos mais uma vez sem representação, pois aqueles que poderiam ( e que vem até nós pedir nosso voto pra nos representar), não nos representam. 

Atenciosamente, 

Jonatas C. de Carvalho. 
É historiador e pesquisador do LEDDES- Laboratório de Estudos das Diferenças e Desigualdades - UERJ. 
Reside há 16 anos na Estrada das Arcas.
    



     

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Vice Governador admite que há mais mortos na serra do que o divulgado.

Extraído do EXTRA.
O documentário "Verdade Soterrada" produzido pelo Jornal EXTRA trouxe alguns fatos a tona. Em primeiro lugar, a Ministra Maria do Rosário da Secretaria dos Direitos Humanos, declarou esta semana que irá constituir uma força tarefa para localizar os corpos das vítimas da tragédias na Região Serrana. 

Com a autoridade de quem acompanhou de perto — durante um mês — as buscas por vítimas das chuvas na Região Serrana, o vice-governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, afirma não ter dúvidas de que o número de mortos é maior do que o divulgado oficialmente:
— Não acredito que tenham mais mortos em Friburgo, mas, em Teresópolis, eu sei que tem. Eram montanhas de pedras e não tinham equipamentos para retirar aquilo. O trabalho era feito com as mãos e as máquinas.
Apesar de os números oficiais não traduzirem a realidade, ele defende o trabalho realizado pela Defesa Civil e pelo Corpo de Bombeiros.
— Os bombeiros são especialistas e todos falaram que fizeram o que era possível. Em desastres daquela magnitude, tem uma certa hora que não vale a pena você procurar. Não dá para achar.
Sensibilizado com a série de reportagens do EXTRA, Pezão se dispôs a auxiliar os moradores que estão com dificuldades em obter os atestados de óbitos de parentes, desde que haja solicitações:
— Temos que ser demandados por estas famílias. Me coloco à disposição para ajudar no que estiver ao meu alcance, dentro desta burocracia imensa que é provar que a pessoa morreu.
Já Margarida Pressburger, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro, garantiu que as portas das subseções de Nova Friburgo, Petrópolis e Teresópolis estão abertas.
— Estive lá, recentemente, e vi que nada foi feito. A situação de Friburgo é dramática. Os problemas mais relatados são a falta de moradia e do pagamento do aluguel social. Enfim, carência de tudo — reconheceu Margarida.
Neste domingo, o EXTRA tentou ouvir os prefeitos de Nova Friburgo, Petrópolis e Teresópolis. Porém, a única resposta veio de Teresópolis, por meio da assessoria. Conforme a nota, o prefeito Arlei Rosa, ex-presidente da Câmara de Vereadores, assumiu o cargo em agosto de 2011, após o prefeito Jorge Mário Sedlacek (sem partido) ser afastado e cassado e o vice, Roberto Pinto, ter morrido. Segundo a prefeitura, mais 400 famílias passaram a ganhar o aluguel social, no mês passado. Outras 3.130 já estavam no programa. Duas escolas municipais continuam interditadas em Teresópolis.



sábado, 4 de agosto de 2012

Vídeo sobre tragédia na Região Serrana

Assista o documentário "Verdade Soterrada" produzido por Aline Custódio e Talita Corrêa do Jornal EXTRA. Você irá se impressionar com a situação das famílias um ano e seis meses depois do que ficou conhecido como o maior desastre natural que já ocorreu no Brasil. 
E eles ainda querem insistir no Parque Fluvial! 

Cuidado algumas cenas são fortes!
http://extra.globo.com/noticias/rio/tragedia-regiao-serrana-2011/video-documentario-mostra-que-pouca-coisa-mudou-na-regiao-serrana-apos-tragedia-de-2011-5693201.html

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O que Itaipava tem em comum com a Transoeste e Transcarioca?


O que o Estado do Rio vem fazendo por meio do INEA e com a permissão (omissão) da Prefeitura de Petrópolis não é algo novo para seus mandatários, estes governantes estão agindo assim faz tempo. Conforme a matéria publicada no JB, de acordo com Comitê Popular da Copa e da Olimpíada, o número de atingidos pelas obras da Copa, das Olimpíadas e pelo projeto Porto Maravilha, de revitalização da região portuária, pode chegar a 20 mil famílias. 

Com a construção das rodovias Transoeste e Transcarioca a Prefeitura do Rio e o Governo do Estado, praticaram sucessivos atos de transgressão dos direitos humanos e do cidadão.
Reproduzo abaixo parte da matéria divulgada pela revista Barrazine o que os Sr. Eduardo Paes e Sérgio Cabral andam fazendo por ai, e, que certamente já começaram a fazer por aqui. 


Cerca de 20 mil famílias estão sendo removidas para dar espaço para a construção das vias expressas Transcarioca e Transoeste. Segundo a Defensoria Pública, a ONU, a OAB e a Subprocuradoria Geral de Justiça e Direitos Humanos, a prefeitura do Rio de Janeiro está cometendo arbitrariedades, evidentes casos de abuso de autoridade puro e simples.

Com as subavaliações feitas pela prefeitura, o valor pago nas indenizações seria irrisório, não permitindo a compra de novos imóveis pelas famílias desalojadas. Há reclamações até de quem teve seu imóvel demolido pela prefeitura sem receber nenhum centavo de indenização ou uma moradia popular do programa Minha casa, Minha Vida.

Moradores de prédios construídos nas proximidades da Avenida Vicente de Carvalho – por onde passará a Transcarioca - também travam uma briga com a prefeitura na Justiça. A intenção é receber uma indenização compatível com o valor dos imóveis. Mais uma vez aqui nota-se o descaso da prefeitura com a cidadania, pois a autoridade escora-se na irritante morosidade da Justiça quando o assunto é processo contra o Poder Público. A indenização correta sai em 10 anos? 20 anos? Quem sabe?


Veja os depoimentos à Revista:

"A prefeitura está fazendo o que bem entende. Não paga aluguel social, paga indenizações baixíssimas. Se há verba para construir moradias populares em localidades distantes das áreas onde as pessoas foram removidas, então por que as construções não poderiam ser feitas em locais próximos?"
[Leonardo Chaves, subprocurador Geral de Justiça de Direitos Humanos no Rio]


"A lei fixa que, nos casos de remoção, a prefeitura deve reassentar a população a uma distância próxima da localidade de origem. No entanto, há milhares de ações movidas contra a prefeitura denunciando o descumprimento da lei que não dão em nada. A prefeitura, na maioria das vezes, alega que não há terrenos para construções populares disponíveis próximos aos locais onde ocorrem as remoções e fica tudo por isso mesmo"
[Rafael Mitchell, presidente da Comissão de Direitos Urbanísticos da OAB-RJ]


“Derrubar a casa em que eu vivia durante dez anos com a minha família sem me dar nenhum centavo nem uma casa, ainda que pequena, do programa Minha Casa, Minha Vida, é uma sacanagem muito grande. Reconheço que seja importante passar uma estrada para facilitar o fluxo de veículos no Recreio dos Bandeirantes. Mas a população tem que pagar o preço?”
[Michel dos Santos, mecânico]




Eles não fizeram o certo nas experiências anteriores. Prometem que iriam construir casas, que iam alojar os moradores perto das áreas que são originários, disseram que estão cumprindo os procedimentos legais, mas mentiram descaradamente sobre tudo. As indenizações são insuficientes e não há casas para transferir tanta gente. Se fizeram isso com milhares de famílias na cidade do Rio de Janeiro, quem garante que não farão o mesmo com os moradores de Gentil e Estrada das Arcas (pois com os moradores de Cuiabá já fizeram também), a questão é: vamos permitir? 









quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Mensagem aos Amigos


Reproduzo aqui a mensagem que o Marcelo, nosso amigo que vem acompanhando nossa luta, enviou aos seus amigos com o objetivo de ampliar os canais de divulgação do nosso movimento.


Obrigado Marcelo!




Meus amigos,

Venho pedir a valiosa atenção, o essencial apoio e o forte empenho na divulgação do Blog abaixo. Não se trata de Blog para retorno financeiro, e sim frear a injustiça e o abuso de poder cometido pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro com a população de Itaipava, município de Petrópolis.

O Governo do Rio de Janeiro está cometendo uma injustiça e uma arbitrariedade muito grande, não só com pessoas de meu relacionamento e círculo de amizade, como também com moradores que investiram o que tinham, para que pudessem ter um teto para abrigá-los. Cabe salientar, que não é comunidade, favela ou população ribeirinha, e sim um bairro descente, com infra estrutura, onde tudo foi feito dentro da lei, onde moradores adquiram seus terrenos com escritura lavrada em cartório e ergueram suas casas.

Lendo o blog abaixo, irão entender tamanha injustiça cometida pelo Governo do Estado, na figura do INEA.

Citarei um exemplo:
Casas que valem R$180.000,00, o INEA quer desapropriar por R$20.000,00, outras que valem R$300.000,00 ou mais, o INEA paga R$35.000,00 para desapropriar. Quando na verdade não há a necessidade de desapropriação, por se tratar da passagem de um córrego no fundo das propriedades.

Porque nas casas luxosas, onde moram desembargadores, juízes, empresários, e também pousadas luxuosas e clube de ricos, o INEA disse que não será preciso desapropriar, se o córrego também passa nos fundos dessas propriedades?

Como isso é possível, se a faixa marginal é a mesma?

Será que há interesses maiores por trás dessas desapropriações???

Porque o Governo do Estado não se preocupa em recuperar o Vale do Cuiába, onde famílias inteiras foram dizimadas, e após 1 ano e meio da enchente, nada foi feito. Porque retirar as casas que estão ao lado de um CÓRREGO, que não oferecem perigo?

Divulguem somente para pessoas que possam ajudar de uma maneira ou de outra, pessoas que divulguem, que se interessem, que tenham um amigo na mídia que possa dar o apoio devido, vamos divulgar essa arbitrariedade, para que juntos possamos ser fortes nessa luta contra a injustiça e o abuso de poder.

terça-feira, 31 de julho de 2012

O PARQUE E OS POBRES

 O projeto do parque fluvial do Piabanha prevê o desassoreamento de seis quilômetros do Rio Santo Antônio (que corta Itaipava). Este terá suas margens reflorestadas, serão construídas ciclovias e uma praça na área de confluência com o rio Piabanha. O discurso oficial se parece com aqueles das reformas autoritárias executadas no Rio de Janeiro desde Pereira Passos (1902-1906). No caso atual o que está em voga é o discurso da ecologia associado à segurança, os representantes do Estado alegam que o parque não só trará melhorias estéticas, como também resolverá o problema das enchentes evitando possíveis tragédias como as que ocorreram em 2008 e 2011. Na época de Pereira Passo, o discurso não era tão diferente, o progresso (assim como a ecologia nos dias de hoje), justificava as interferências que levaram a expulsão das populações pobres do centro do Rio de Janeiro. Entre os anos de 1920 e 1922, Carlos Sampaio, prefeito da cidade do Rio de Janeiro demoliu o morro do castelo, removendo os pobres que ali habitavam para os subúrbios sem qualquer estrutura. Nas décadas de 40 e 50 diversas intervenções do Estado (demolição do morro Santo Antônio, abertura da Avenida Presidente Vargas, Avenida Brasil, criação da Radial Oeste) provocaram mais deslocamentos das populações de classe baixa, o ápice, foi a remoção de mais de 70 mil pessoas que viviam nas “favelas” da praia do pinto (Leblon), catacumba (Rodrigo de Freitas) e Macedo Sobrinho (Botafogo) que foram transferidas para a Cidade de Deus, Cidade Alta e Agua Branca, periferias que não contavam na época com serviços de iluminação, água canalizada e saneamento básico.
É assim que tem sido desde então. Todas as obras sobre a égide do progresso tiveram como pano de fundo a “higienização” das áreas contempladas por meio da remoção das populações mais vulneráveis. Os representantes do Estado sabem que tais projetos recebem apoio da maioria de seus cidadãos devido ao argumento do “bem maior”. Não é atoa que associações como a “Novamossanta”, uma associação que se reúne nos condomínios do bairro Santa Mônica em Itaipava apoiam e fomentam este tipo de ação. Para seus associados trata-se de um projeto justo, que irá melhorar a qualidade de suas vidas. Os condôminos poderão sair de suas lindas casas, ocupadas nos finais de semana, de bicicleta apreciando a bela paisagem que se estabelecerá com a remoção dos “casebres” que antes comprometiam visualmente o trajeto das ruas. Estes nobres defensores da natureza, bastiões da ordem pública não estão preocupados para onde irá a população que habita a “área vermelha”, mesmo sabendo que muitos dos que ali vivem são seus empregados; caseiros, jardineiros, zeladores e domésticas. Pouca importa para eles se o valor pago pelo Estado nos imóveis desapropriados é injusto, o fato destas populações não conseguir adquirir outras casas com a indenização do Estado, ou o fato de centenas de famílias viverem por anos de “aluguel social” (que muitos acham uma insensatez do Estado), até que uma casa popular lhes seja entregues, aos seus olhos, é apenas efeito colateral.
Outra alegação que justifica o projeto está nas “edificações irregulares”, o “desrespeito” a legislação que determina que toda edificação deverá obedecer à distância de 30 metros dos rios. Tal argumento desconsidera edificações legalizadas, com seus devidos impostos em dia, portanto, autorizadas pela Prefeitura Municipal de Petrópolis. Desconsidera ainda as centenas de propriedades e condomínios (um exemplo é o condomínio Itaipava Country Club, cujas casas nesta situação não serão atingidas pela política de remoção) que foram constituídos com desmatamentos e à margem desses mesmos e canais. As construções irregulares são resultado da falência das políticas de habitação dos Estados e Municípios. As comunidades que se constituíram nas encostas de morros ou margens de rios, no caso de Petrópolis são muitas, sofrem com o estigma de “invasores”, são os “bodes expiatórios” das tragédias anunciadas, que permite aos governantes se isentarem da responsabilidade de elaborar políticas públicas que garantam moradia para todos os seus cidadãos.
Políticas como esta que está ocorrendo com os moradores da Estrada das Arcas, Gentil, Madame Machado, Benfica e Cuiabá, visam remover estas moradias que “enfeiam” a paisagem, estas são impedimentos para o avanço da especulação imobiliária e, por conseguinte da valorização patrimonial da região. O parque teria neste sentido, um duplo objetivo, primeiro transformar a paisagem retirando dela o “feio” e o “desordenado”, segundo elevar o status habitacional da região de modo que apenas as classes mais abastadas tenham condições de adquirir terrenos e propriedades na mesma.
Após o exposto, cabe uma reflexão sobre a palavra "desapropriação". Os dicionários definem assim: procedimento pelo qual o Poder Público, fundado na necessidade pública, utilidade pública ou interesse social, compulsoriamente, despoja alguém de certo bem, móvel ou imóvel, adquirindo-o para si em caráter originário, mediante justa e prévia indenização. Tal definição suscita outros questionamentos: o que é "interesse público"? A quem cabe decidir pelo "interesse social"? Quem define a "justa indenização"? A história das desapropriações no Brasil, sobretudo, as praticadas pelo Estado do Rio de Janeiro, é uma história de injustiça, de imposição da força e de intolerância. Hoje sob o argumento da preparação da Cidade para a Copa do Mundo (2014) e Olimpíadas (2016), milhares de pessoas estão sendo removidas de seus lares, alguns casos (como na construção da transoeste) as remoções se deram sem a “prévia e justa indenização”, como manda a lei.[1] O “interesse público” no caso da construção do Parque Fluvial do Piabanha segue a mesma ordem do discurso, embora a Secretária do Inea alegue que o órgão está “negociando” com os moradores.
Não me espantarei se em breve máquinas surgirem acompanhadas de oficiais de justiça com ordem de demolir as casas dos “intransigentes” por recusar a “generosa oferta” de Estado, mas realmente espero que isso não ocorra. Se ocorrer, será mais um ato insano de um Estado ausente, que quando se faz presente é para oprimir e discriminar aqueles que mais necessitam de sua assistência.


Jonatas C. de Carvalho.
É historiador e pesquisador associado ao LEDDES – Laboratório de Estudos das Diferenças e Desigualdades da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

[1]Alana Gandra: Repórter da Agência Brasil.
Rio de Janeiro – Boletim divulgado hoje (26) em Genebra, na Suíça, pela relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Moradia Adequada, a urbanista brasileira Raquel Rolnik, alerta o governo brasileiro sobre casos de violações dos direitos humanos na remoção de comunidades em função das obras para a Copa de 2014 e, no caso do Rio de Janeiro, também para as Olimpíadas de 2016. Veja a matéria completa aqui: http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-04-26/onu-denuncia-violacao-de-direitos-humanos-na-remocao-de-familias-para-obras-da-copa-do-mundo-de-2014

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Carta a Carlos Minc



Prezado Minc, 
Sou historiador e pesquisador dedicado a questão da criminalização das drogas (UERJ), assim como você, venho apoiando iniciativas voltadas para desmitificar e descriminalizar os usos de psicoativos em nosso país. Recentemente, porém, me vi impedido de seguir com minhas pesquisas, devido as ações coordenadas pelo Estado e Município na região de Itaipava, sobretudo, nas áreas circunstanciadas pelo rio Santo Antônio e o Córrego do Carvão. As comunidades que vivem nesta região, que a presidenta do INEA, insensivelmente chamou de "populações ribeirinhas", estão sendo coagidas a aceitar valores irrisórios pelo seus patrimônios. Estas populações em sua grande maioria, vivem há mais de 30 (40) anos nessa localidade, não são posseiros, são gente descente, honesta, trabalhadora. Durante toda uma vida dedicaram o pouco que sobrou do salário miserável que são condicionados a viver na melhoria de suas moradias. Não sou contra o parque fluvial, mas a construção deste, não pode prescindir das pessoas que ali habitam. Se se quer "proteger" tais indivíduos do "risco iminente das enchentes", então que lhes sejam garantidos habitação ou indenização que lhes permitam adquirir moradias dignas. As vítimas da tragédia em Cuiabá ainda estão a espera de tais moradias, por que tentar remover as populações que vivem na estrada das arcas, laginha (as margem de córrego carvão)? Onde o Estado irá alocar toda essa gente? Quais os critérios para incluir casas que nunca entraram água na "zona vermelha"? 
O que o Estado realmente parece estar fazendo por aqui, caro Minc é uma política higienista, criar parques e ciclovias removendo mais de 700 famílias como se estivesse "tocando" um rebanho para outro pasto, não me algo para se orgulhar. Essas pessoas a quem a Sr. Marilene Ramos chamou de "intransigentes" por se recusar a "negociar", não merecem o tratamento que estão recebendo, muito menos a fatídica indenização que lhes estão oferecendo. O que vem ocorrendo em nossa região não pode ser caracterizado como "desapropriação" , pois esta visa segundo a lei uma "justa e prévia indenização". Peço a você caro Minc que olhe com mais carinho para essas comunidades, não queremos a complacência do Estado, mas justiça e transparência.


Atenciosamente 
Jonatas Carlos de Carvalho.

domingo, 29 de julho de 2012



MORADORES FAZEM MANIFESTAÇÃO EM ITAIPAVA CONTRA PROJETO DO INEA. 

 OS MORADORES DE ITAIPAVA, CUIABÁ, MADAME MACHADO, BENFICA E GENTIL, ÁREAS ATINGIDAS PELAS CHUVAS EM 2011, FIZERAM UM ATO PÚBLICO NESTE SÁBADO,PARA RECOLHER ASSINATURAS CONTRA AS AÇÕES CONTROVERSAS DO PODER PUBLICO NA REGIÃO.   
É PRECISO QUE SE DIGA: NUNCA SE VIU TANTA INJUSTIÇA CONTRA UMA COMUNIDADE NESTA CIDADE COMO NA REGIÃO DE ITAIPAVA.  
OS MORADORES DE CUIABÁ, MADAME MACHADO QUE PERDERAM SUAS CASAS NA ÚLTIMA ENCHENTE ATÉ AGORA NÃO RECEBERAM MORADIAS, SENTEM-SE ABANDONADOS PELO GOVERNO MUNICIPAL.

 O INEA CORTOU ÁRVORES CENTENÁRIAS NA ENTRADA DA ESTRADA DAS ARCAS. HÁ ALGUNS ANOS, QUANDO HAVIA UM PONTO DE TAXI NO LOCAL E O TAXISTAS RESOLVERAM CORTAR UMA ÁRVORE QUE ESTAVA COLOCANDO OS CARROS EM RISCO, FORAM MULTADOS SEVERAMENTE PELO MESMO ÓRGÃO.