segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Os "prefeitáveis" e suas propostas para as vítimas das catástrofes.

Os cidadãos e cidadãs da cidade de Petrópolis estão tendo o privilégio de presenciar os debates entre os candidatos a prefeito no município, isto tem sido possível devido à mobilização de setores de comunicação e educação dentre outros segmentos que vêm organizando os debates. 

Se há raros momentos de lucidez por parte dos "prefeitáveis", em que apresentam propostas concretas, na maioria da discussão o que se presencia é a prática de um tipo de retórica própria de um modelo de política que se faz presente no Brasil desde surgimento da república.
Os candidatos recentemente apresentaram suas propostas para a situação das populações atingidas pelas chuvas de 2011, sobretudo para os moradores do Vale do Cuiabá.

Se o atual prefeito apresentou o pouco do que realizou neste quesito, embora discursasse como se estivesse realizado algo realmente significativo, como a construção de 144 casas (ainda no início das obras) na Posse. Paulo Mustrangi alegou ainda que continua a "cobrar" do Governo do Estado a construção de 1,5 mil habitações que segundo o mesmo, seria o responsável pela construção. Não citou o problema das desapropriações das propriedades à margem dos rios Santo Antônio e Carvão. Algo que o nobre Prefeito não deveria fazer, mas mesmo que discretamente acabou fazendo, foi gabar-se de não ter sido acusado de "desvios" como ocorreu com os prefeitos dos outros municípios atingidos pela mesma catástrofe (Friburgo e Teresópolis), "posar de exceção" neste caso, não é coerente, pois a lisura para com o erário público deve ser obrigação de todo gestor. 

Já o candidato do PSOL, Alex Dias, vem mantendo a fraca capacidade de discutir com propriedade os problemas da cidade. Bernardo Rossi, um pouco mais hábil discursivamente, apresentou uma análise do problema razoavelmente sensata (apontando para o fracasso do plano habitacional do município), mas suas propostas de solução são abusivamente utópicas (como sua proposta de assistir efetivamente os moradores com engenheiros e arquitetos do quadro municipal). 

Nelson Sabrá faz do "jogo" retórico sua maior arma. O candidato destaca-se por sua capacidade de exercer suas críticas disparando ataques pontuais aos candidatos Rubens Bomtempo e Paulo Mustrangi. Condenou os preços oferecidos pelo Estado nas indenizações das áreas desapropriadas, disse que recomendou aos moradores que não assinassem o "termo de realocação", condenou o "papel de coadjuvante" exercido pela prefeitura no processo (até aqui análises sensatas), mas como os outros, foi incapaz de apresentar propostas efetivas, capazes de ser mensuradas. 
O candidato do PSB, Rubens Bomtempo, vem esbarrando no chamado "por que você não fez quando teve chance?" Sua proposta de uma "Secretaria Extraordinária" é mais uma falácia entre as muitas que vem divulgando como parte do seu "plano de governo". 

Infelizmente, para aqueles que foram vitimados pela catástrofe ou para aqueles que tiveram (e terão) seus direitos expropriados pelo estado, as opções entre os "prefeitáveis" não representam mudanças na condução da política autoritária que o Estado vem exercendo na Região Serrana. Qualquer um dos candidatos possivelmente serão "engolidos" pela "máquina" do Estado. A aprovação de recursos na ordem de onze dígitos (seiscentos milhões) é capaz de seduzir qualquer gestor municipal, pois no final das contas, a alocação de verbas dessa ordem certamente servirá como “plataforma” no jogo político nas eleições seguintes.      

Jonatas Carlos de Carvalho 
Mestrando em História Política pelo PPGH/UERJ. Bolsista da CAPES. Pesquisador do Laboratório de Estudos das Diferenças e Desigualdades Sociais – LEDDES/UERJ; Pesquisador do NEIP – Núcleo de Estudos Interdisciplinares Sobre Psicoativos.  

 
     

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