Os cidadãos e cidadãs da cidade de
Petrópolis estão tendo o privilégio de presenciar os debates entre os
candidatos a prefeito no município, isto tem sido possível devido à mobilização
de setores de comunicação e educação dentre outros segmentos que vêm organizando
os debates.
Os candidatos
recentemente apresentaram suas propostas para a situação das populações
atingidas pelas chuvas de 2011, sobretudo para os moradores do Vale do Cuiabá.
Se o atual
prefeito apresentou o pouco do que realizou neste quesito, embora discursasse
como se estivesse realizado algo realmente significativo, como a construção de
144 casas (ainda no início das obras) na Posse. Paulo Mustrangi alegou ainda
que continua a "cobrar" do Governo do Estado a construção de 1,5 mil
habitações que segundo o mesmo, seria o responsável pela construção. Não citou
o problema das desapropriações das propriedades à margem dos rios Santo Antônio
e Carvão. Algo que o nobre Prefeito não deveria fazer, mas mesmo que
discretamente acabou fazendo, foi gabar-se de não ter sido acusado de
"desvios" como ocorreu com os prefeitos dos outros municípios
atingidos pela mesma catástrofe (Friburgo e Teresópolis), "posar de
exceção" neste caso, não é coerente, pois a lisura para com o erário
público deve ser obrigação de todo gestor.
Já o candidato do
PSOL, Alex Dias, vem mantendo a fraca capacidade de discutir com propriedade os
problemas da cidade. Bernardo Rossi, um pouco mais hábil discursivamente,
apresentou uma análise do problema razoavelmente sensata (apontando para o
fracasso do plano habitacional do município), mas suas propostas de solução são
abusivamente utópicas (como sua proposta de assistir efetivamente os moradores
com engenheiros e arquitetos do quadro municipal).
Nelson Sabrá faz
do "jogo" retórico sua maior arma. O candidato destaca-se por sua
capacidade de exercer suas críticas disparando ataques pontuais aos candidatos
Rubens Bomtempo e Paulo Mustrangi. Condenou os preços oferecidos pelo Estado
nas indenizações das áreas desapropriadas, disse que recomendou aos moradores que
não assinassem o "termo de realocação", condenou o "papel de
coadjuvante" exercido pela prefeitura no processo (até aqui análises
sensatas), mas como os outros, foi incapaz de apresentar propostas efetivas,
capazes de ser mensuradas.
O candidato do
PSB, Rubens Bomtempo, vem esbarrando no chamado "por que você não fez
quando teve chance?" Sua proposta de uma "Secretaria
Extraordinária" é mais uma falácia entre as muitas que vem divulgando como
parte do seu "plano de governo".
Infelizmente, para
aqueles que foram vitimados pela catástrofe ou para aqueles que tiveram (e
terão) seus direitos expropriados pelo estado, as opções entre os
"prefeitáveis" não representam mudanças na condução da política
autoritária que o Estado vem exercendo na Região Serrana. Qualquer um dos
candidatos possivelmente serão "engolidos" pela "máquina"
do Estado. A aprovação de recursos na ordem de onze dígitos (seiscentos milhões)
é capaz de seduzir qualquer gestor municipal, pois no final das contas, a
alocação de verbas dessa ordem certamente servirá como “plataforma” no jogo
político nas eleições seguintes.
Jonatas Carlos de Carvalho
Mestrando em História Política pelo PPGH/UERJ. Bolsista
da CAPES. Pesquisador do Laboratório de Estudos das Diferenças e Desigualdades
Sociais – LEDDES/UERJ; Pesquisador do NEIP – Núcleo de Estudos
Interdisciplinares Sobre Psicoativos.
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