
Mais uma
vez o INEA faz uso de estratégias com objetivo de ludibriar a população
e maquiar as informações oficiais. Nesta
quarta, dia 8, às 09h30, na Paróquia Santa Luzia, localizada na Laginha
(Estrada das Arcas), o órgão realizou uma reunião de "avaliação do projeto
do Parque Fluvial do Piabanha". Conforme a representante da empresa
contratada para fazer a “avaliação”, a proposta objetivava recolher informações
da população, de modo que a partir destas fosse possível elaborar um relatório
sobre os "gargalhos", "problemas" e "demandas" do
projeto. Ainda conforme a representante
(uma psicóloga), o mesmo tipo de reunião seria realizada junto à equipe do INEA
que atua nos locais em questão, para confrontar as informações. Assim um relatório geral seria encaminhado ao
órgão.
Apresento
aqui algumas ponderações e questões que imagino, não devem passar despercebidas
pela imprensa, poder público municipal e a população diretamente envolvida.
Primeiramente
alguns questionamentos: Quais os critérios para realizar tal reunião? Como uma
reunião que tem por finalidade avaliar um projeto, onde o feedback da
população torna-se o principal instrumento de avaliação, a mesma não é
convocada? Por que realizar uma reunião no salão de uma igreja (um espaço que
tem sido usado publicamente desde então) às portas fechadas. Qual a
legitimidade de um relatório que "selecionou" pessoas por
telefone? O que representa um relatório
elaborado a partir da fala de vinte
pessoas em um universo que mais de 1.500
famílias?
Assim
como 99% da população, eu não fui convidado a comparecer a reunião. Fiquei
sabendo da mesma por meio de uma vizinha, fiquei me perguntando por que ela
recebeu um convite/telefonema e eu não, afinal também tenho telefone fixo. Mas
como bom penetra compareci ao local e me sentei discretamente para ouvir e
tentar entender o que estava ocorrendo ali.
A primeira conclusão que cheguei é que o "formato" da reunião
fora feito para evitar os "contestadores" e "tumultuadores"
de plantão (é assim que o Estado qualifica as pessoas que reivindicam seus
direitos, para mim trata-se de uma atribuição própria da cidadania). O ambiente
foi harmoniosamente preparado, com mesa de coffee break, duas
profissionais de voz suave e fala ponderada, dava para se sentir em casa. A
reunião começou com uma "dinâmica de grupo" onde foram distribuídos
papéis de cor rosa (para escrevermos os aspectos positivos do projeto) e de cor
verde (onde exporíamos os aspectos negativos).
Fiquei
desolado ao verificar que as pessoas presentes não estavam ali para contestar o
projeto ou para criticar a política autoritária por parte do Estado e do INEA.
Suas queixas eram pessoais, pontuais, pertinentes apenas às suas necessidades.
Listo
abaixo as principais reclamações:
Para terminar, algumas
considerações: Teria o Estado perdido uma ótima oportunidade de avaliar suas
ações na Região? Penso que não. Creio realmente que tudo isso faz parte de um
grande jogo para respaldar o discurso oficial.
Todo projeto requer, para se legitimar o cumprimento de alguns
pressupostos básicos, dentre os quais cito alguns: traçar metas e objetivos,
planejar e mensurar as ações e realizar avaliações sistemáticas.
Neste sentido, a reunião desta
quarta-feira teve o caráter de cumprir mais uma etapa do projeto, o que não
significa que o Estado está preocupado com a nossa opinião. Assim se questionados, o órgão do Estado
poderá alegar que realizou avaliações periódicas. Mas certamente não revelarão
como tais "avaliações" se deram, não dirão que as reuniões ocorreram
às portas fechadas e com pessoas selecionadas a dedo. É desta forma que o
Estado legitima suas ações e camufla seu autoritarismo, apresentando ações e
projetos unilaterais como se contassem com a efetiva participação social.
Jonatas C. de Carvalho é
historiador e pesquisador do LEDDES- Laboratório de Estudos das Diferenças e
Desigualdades da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ. Reside há 16
anos na Estrada das Arcas em Itaipava.
É uma vergonha, o Estado como sempre enfiando os pés pelas mãos, delegam pessoas incompetentes e irresponsáveis, para cuidarem do destino de 1.500 famílias. Precisamos convocar a imprensa para divulgar esses abusos. Estamos juntos nessa causa.
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