quarta-feira, 8 de agosto de 2012

INEA FAZ REUNIÃO ÀS PORTAS FECHADAS EM ITAIPAVA.


Mais uma vez o INEA faz uso de estratégias com objetivo de ludibriar a população e maquiar as informações oficiais.  Nesta quarta, dia 8, às 09h30, na Paróquia Santa Luzia, localizada na Laginha (Estrada das Arcas), o órgão realizou uma reunião de "avaliação do projeto do Parque Fluvial do Piabanha". Conforme a representante da empresa contratada para fazer a “avaliação”, a proposta objetivava recolher informações da população, de modo que a partir destas fosse possível elaborar um relatório sobre os "gargalhos", "problemas" e "demandas" do projeto.  Ainda conforme a representante (uma psicóloga), o mesmo tipo de reunião seria realizada junto à equipe do INEA que atua nos locais em questão, para confrontar as informações.  Assim um relatório geral seria encaminhado ao órgão.

Apresento aqui algumas ponderações e questões que imagino, não devem passar despercebidas pela imprensa, poder público municipal e a população diretamente envolvida.

Primeiramente alguns questionamentos: Quais os critérios para realizar tal reunião? Como uma reunião que tem por finalidade avaliar um projeto, onde o feedback da população torna-se o principal instrumento de avaliação, a mesma não é convocada? Por que realizar uma reunião no salão de uma igreja (um espaço que tem sido usado publicamente desde então) às portas fechadas. Qual a legitimidade de um relatório que "selecionou" pessoas por telefone?  O que representa um relatório elaborado  a partir da fala de vinte pessoas em um universo que mais de  1.500 famílias?

Assim como 99% da população, eu não fui convidado a comparecer a reunião. Fiquei sabendo da mesma por meio de uma vizinha, fiquei me perguntando por que ela recebeu um convite/telefonema e eu não, afinal também tenho telefone fixo. Mas como bom penetra compareci ao local e me sentei discretamente para ouvir e tentar entender o que estava ocorrendo ali.  A primeira conclusão que cheguei é que o "formato" da reunião fora feito para evitar os "contestadores" e "tumultuadores" de plantão (é assim que o Estado qualifica as pessoas que reivindicam seus direitos, para mim trata-se de uma atribuição própria da cidadania). O ambiente foi harmoniosamente preparado, com mesa de coffee break, duas profissionais de voz suave e fala ponderada, dava para se sentir em casa. A reunião começou com uma "dinâmica de grupo" onde foram distribuídos papéis de cor rosa (para escrevermos os aspectos positivos do projeto) e de cor verde (onde exporíamos os aspectos negativos).
Fiquei desolado ao verificar que as pessoas presentes não estavam ali para contestar o projeto ou para criticar a política autoritária por parte do Estado e do INEA. Suas queixas eram pessoais, pontuais, pertinentes apenas às suas necessidades.

Listo abaixo as principais reclamações:

*      Atrasos constantes do aluguel social;
*      O valor do aluguel social (R$ 500,00), abaixo do salário mínimo, inviabiliza a grande maioria das casas disponíveis para aluguel, já que se pede no mínimo um salário para alugá-las;
*      Criticas aos critérios de cadastramento do aluguel social, há pessoas que perderam suas casas e que não estão sendo assistidas com o aluguel social e pessoas que recebem o benefício sem necessitar (denúncia feita na reunião);
*      A demora no pagamento de quem já "negociou" com o INEA, inviabiliza a "compra assistida";
*      O valor das indenizações é incompatível com o preço de mercado;
*      Ausências de informações, informações distorcidas, informações contrastantes;
*      Incertezas sobre o programa de habitação, isto é, onde irão morar? Em que lugar estão sendo construídas as novas moradias? Quando elas ficarão prontas?
*      O modelo de desassoreamento comprometerá severamente a flora e a fauna local.

Para terminar, algumas considerações: Teria o Estado perdido uma ótima oportunidade de avaliar suas ações na Região? Penso que não. Creio realmente que tudo isso faz parte de um grande jogo para respaldar o discurso oficial.  Todo projeto requer, para se legitimar o cumprimento de alguns pressupostos básicos, dentre os quais cito alguns: traçar metas e objetivos, planejar e mensurar as ações e realizar avaliações sistemáticas. 

Neste sentido, a reunião desta quarta-feira teve o caráter de cumprir mais uma etapa do projeto, o que não significa que o Estado está preocupado com a nossa opinião.  Assim se questionados, o órgão do Estado poderá alegar que realizou avaliações periódicas. Mas certamente não revelarão como tais "avaliações" se deram, não dirão que as reuniões ocorreram às portas fechadas e com pessoas selecionadas a dedo. É desta forma que o Estado legitima suas ações e camufla seu autoritarismo, apresentando ações e projetos unilaterais como se contassem com a efetiva participação social.    

Jonatas C. de Carvalho é historiador e pesquisador do LEDDES- Laboratório de Estudos das Diferenças e Desigualdades da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ. Reside há 16 anos na Estrada das Arcas em Itaipava. 

Um comentário:

  1. É uma vergonha, o Estado como sempre enfiando os pés pelas mãos, delegam pessoas incompetentes e irresponsáveis, para cuidarem do destino de 1.500 famílias. Precisamos convocar a imprensa para divulgar esses abusos. Estamos juntos nessa causa.

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