Prezado Minc,
Sou historiador e pesquisador dedicado a questão da criminalização das drogas (UERJ), assim como você, venho apoiando iniciativas voltadas para desmitificar e descriminalizar os usos de psicoativos em nosso país. Recentemente, porém, me vi impedido de seguir com minhas pesquisas, devido as ações coordenadas pelo Estado e Município na região de Itaipava, sobretudo, nas áreas circunstanciadas pelo rio Santo Antônio e o Córrego do Carvão. As comunidades que vivem nesta região, que a presidenta do INEA, insensivelmente chamou de "populações ribeirinhas", estão sendo coagidas a aceitar valores irrisórios pelo seus patrimônios. Estas populações em sua grande maioria, vivem há mais de 30 (40) anos nessa localidade, não são posseiros, são gente descente, honesta, trabalhadora. Durante toda uma vida dedicaram o pouco que sobrou do salário miserável que são condicionados a viver na melhoria de suas moradias. Não sou contra o parque fluvial, mas a construção deste, não pode prescindir das pessoas que ali habitam. Se se quer "proteger" tais indivíduos do "risco iminente das enchentes", então que lhes sejam garantidos habitação ou indenização que lhes permitam adquirir moradias dignas. As vítimas da tragédia em Cuiabá ainda estão a espera de tais moradias, por que tentar remover as populações que vivem na estrada das arcas, laginha (as margem de córrego carvão)? Onde o Estado irá alocar toda essa gente? Quais os critérios para incluir casas que nunca entraram água na "zona vermelha"?
O que o Estado realmente parece estar fazendo por aqui, caro Minc é uma política higienista, criar parques e ciclovias removendo mais de 700 famílias como se estivesse "tocando" um rebanho para outro pasto, não me algo para se orgulhar. Essas pessoas a quem a Sr. Marilene Ramos chamou de "intransigentes" por se recusar a "negociar", não merecem o tratamento que estão recebendo, muito menos a fatídica indenização que lhes estão oferecendo. O que vem ocorrendo em nossa região não pode ser caracterizado como "desapropriação" , pois esta visa segundo a lei uma "justa e prévia indenização". Peço a você caro Minc que olhe com mais carinho para essas comunidades, não queremos a complacência do Estado, mas justiça e transparência.
Atenciosamente
Jonatas Carlos de Carvalho.
Nós moradores da Estrada das Arcas, Gentio,Benfica, Madame Machado e Cuiabá, queremos exatamente isso: JUSTIÇA e TRANSPARÊNCIA.
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